“Ela sai do laboratório com o resultado do exame nas mãos.
Tudo agora vai ser diferente, sua vida já não será mais a mesma. A partir de
agora nunca mais estará sozinha, tudo será perfeito e emocionante. Um futuro
maravilhoso a espera.”
Parece cena de filme? E é, pois só em filme
isso acontece. Na vida real as coisas são bem diferentes, a maternidade não é
assim tão linda e esplendorosa. Na vida real você terá que mudar todo o seu
ritmo e sua vida para a chegada desse pequeno ser.
A grande expectativa da sociedade para com as grávidas é tão
grande que a mulher acaba se cobrando algumas atitudes e sentimentos, mas nem
sempre ele chega. E qual o problema disso? Nenhum, cada uma de nós deve viver
esse momento da maneira que ele se apresentar. Não baseie sua vida em um comercial de dia das mães onde ser
mãe é emocionante e perfeito, porque você vai ver que na prática nem sempre é
assim.
Sabe qual foi a primeira coisa que eu senti quando recebi o
resultado do exame que confirmou minha gravidez do Francisco? Eu chorei. Sim,
chorei de soluçar. E não foi de alegria não, foi um choro desesperado onde eu
me questionava como seria a partir daquele momento. Ter filhos estava nos meus
planos, mas não para aquela hora. Eu estava no primeiro mês da faculdade, tinha
planos, uma mãe doente e totalmente dependente de mim e um marido que passava a
maior parte do tempo (para não dizer todo o tempo) viajando. A ficha demorou
pra cair. Não contei para ninguém, precisava de um tempo para entender o que
estava acontecendo e como isso foi acontecer logo naquele momento. Fui andar
pelo centro da cidade, ver vitrines e tentar deixar que aquela situação fizesse
algum sentido. Passando numa loja vi um sapatinho de lã e comprei. Foi
impulsivo. Com o sapatinho em mãos fiquei pensando que a partir daquele dia
tudo seria diferente e eu estava muito assustada por isso.

A verdade é que ainda não tinha caído a ficha pra mim. Tá
certo, um papel dizia que eu estava grávida, mas e daí? Eu não sentia nada
diferente e tava tudo igual. Na minha cabeça eu deveria estar radiante,
emocionada, vibrando um sentimento que eu não tinha. Tudo o que lemos e vemos
na televisão nos faz crer que só o fato de estarmos grávidas vai mudar tudo.
Mas pra mim nada mudou. Era um papel com um número afirmando que eu estava
grávida. Ponto. Marquei médico e ele pediu uma série de exames e entre eles uma
ultra pra tentar descobrir em que período eu estava.
Lá fui eu fazer a tal ultra e foi aí que um sentimento
totalmente novo me invadiu. Quando a médica colocou aquele treco gelado na
minha barriga e no monitor eu finalmente vi um feijãozinho se mexendo e ouvi um
coração bater! Sim, ali dentro de mim havia um “feijão” que tinha já um coração
forte batendo loucamente. Como pode? Ali naquele momento a emoção de gerar uma
vida tomou conta de mim e eu finalmente senti o que ouvia tantas outras
mulheres falarem. Não era mais um papel que dizia alguma coisa, era real, eu
podia vê-lo e ouvia seu coração bater. Ele só tinha 9 semanas de vida e já tinha
um coração batendo forte.
Mas nem sempre acontece assim para todas as grávidas.
Algumas não são tocadas por esse amor incondicional durante a gravidez (algumas
nem gostam de estar grávidas) e isso não é ruim, pois cada um reage de uma
forma diferente. A sociedade nos cobra sentimentos e ações e banaliza o que
devemos ou não sentir.
Lemos nas revistas para gestantes que sua vida durante a
gravidez é linda, cheia de emoções, amor, etc, etc, etc... mas posso dizer?
Balela. Mentira. Durante a gravidez nem tudo são flores não. Sabe o que é ter
enjôo todo santo dia? Comer um mamão e ter azia o dia todo por causa dele? Fora
a dor nas costas, não ter posição pra dormir, fazer xixi a cada 2 minutos, não
caber mais em suas roupas preferidas, ter vontade de comer as coisas mais
absurdas do mundo. Cabelo caindo, pés
inchados, nariz inchado, peito crescendo e doendo muito, ter uma crise de
rinite e não poder usar remédio. Pois é, essas foram algumas situações que eu
passei, garanto que você passou por outras. Mas isso não é dito para as
gestantes e pensamos que no mínimo somos uns ETs que vivem situações únicas.
E aquela alegria incontrolável de gerar uma vida? E o amor
incondicional onde fica? Não fica. Pode ser que ele nem dê o ar da graça
durante a gravidez, e nem depois que o bebê nascer. E tudo bem, não se cobre se
ele não aparecer logo de cara. O pior de tudo é que nos cobramos a ter
sentimentos que devem brotar do fundo da alma. E mesmo que ser mãe seja seu
maior sonho talvez durante a gravidez esse sonho esteja se transformando em
pesadelo e você se apavora, pois foi tudo o que você sonhou a vida inteira e
agora não quer mais.
Confesso que em alguns momentos durante a gravidez eu queria
mais era sumir do mapa, sair do meu corpo e fingir que aquela barriga gigante
não existia.
A gravidez é um momento único sim, mas nem sempre lindo.
Acabamos fantasiando que tudo serão flores e quebramos a cara. Pode ser que você
sinta o oposto e daí fique péssima por sentir isso. Não se cobre. Você não
sente determinadas coisas que outras gestantes estão sentindo? Paciência. A
pior coisa do mundo é sala de espera de consulta pré-natal com aquelas grávidas
esfregando a felicidade plena na nossa cara. Mas posso dizer? Duvido que todas
elas não tenham um dia sequer de desespero durante a gravidez. Afinal são 9
meses com milhões de hormônios diversos, com dores estranhas, enjôos e sem
posição para dormir apesar do sono incontrolável.
Posso ser sincera? Gravidez é também difícil, complicada,
estressante e intensa.
Se você sentiu o amor incondicional já com o resultado do
exame... ótimo! Maravilhoso!
Mas se não sentiu, não se culpe. Viva a sua gravidez da
maneira que ela se apresentar para você e saiba que ela é única sim, porque
mesmo que você venha a ter outros filhos, todas as gestações serão diferentes e
os sentimentos serão únicos.
Não crie na sua cabeça o mito de um sentimento brotando
naturalmente porque ele pode não acontecer e você se frustrar.
Que tal dividir conosco o que você sentiu (ou está sentindo)
durante sua gravidez? Fique à vontade para compartilhar conosco suas histórias
e sentimentos. Se não quiser se identificar, mande-me um email para conversapramae@gmail.com.
Bjinhos,
Ale
;-)
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